Cartas de Dona Leopoldina no ano da Independência do Brasil

Carta a Francisco I São Cristóvão, 7 de março de 1822 Querido papai! Embora seja muito penoso para mim escrever, já que espero o nascimento para qualquer momento, considero meu dever mais sagrado lhe dar notícias minhas, uma vez que conheço bem demais seu coração paternal para ter certeza de que minhas linhas têm algum interesse para o senhor. Aqui reina um verdadeiro caos de idéias e cenas, tudo surgido do logro chamado espírito de liberdade, e nas províncias do Norte agora estão assassinando todos os europeus; Deus (que dispõe tudo para o bem do homem) permita que a situação…

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Mimetismo brasileiro favoreceu a Proclamação da República

  É explicável que alguns brasileiros, de espírito simplista, queiram por força ver, nas vantagens que nos levam os Estados Unidos em prosperidade, um efeito, não de causas naturais e irremediáveis, mas uma resultante da diferença de governos. O solo não se pode trocar, a raça não se pode substituir, mas, em todo o tempo, é possível mudar o governo. Não podendo dar-nos o solo dos Estados Unidos, nem as qualidades étnicas do seu povo, houve quem quisesse dar-nos aos menos o seu governo, isto é, o que de menos invejável tem a grande nação. E a escola fatal dos…

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Devotamento de André Rebouças ao Imperador deposto

  Cannes, 13 de maio de 1892 Meu mestre e meu Imperador. – Não passará o terceiro aniversário da Libertação da Raça Africana no Brasil sem que André Rebouças dê novo testemunho de filial gratidão ao Mártir sublime da Abolição. Sinto-me feliz por ter sido escolhido pelo Bom Deus para representar a devotação da Raça Africana a Vossa Majestade Imperial e à Princesa Redentora, e alegro-me repetindo-o incessantemente. É hoje grato relembrar a síntese da nossa vida, como meu Bom Mestre disse no Alagoas quando comemoramos seu 64º aniversário. Participou em Petrópolis, em 1850, há quarenta e um anos, examinando-me…

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Nobres e derradeiros sentimentos do Almirante Tamandaré

  Testamento do Almirante Tamandaré, Patrono da Marinha brasileira.   23 de setembro de 1893 "Não havendo a Nação Brasileira prestado honras fúnebres de espécie alguma por ocasião do falecimento do imperador, o senhor D. Pedro II, o mais distinto filho desta terra, tanto por sua moralidade, alta posição, virtudes, ilustração, como pela dedicação no constante empenho ao serviço da Pátria durante quase 50 anos que presidiu a direção do Estado, creio que a nenhum homem de seu tempo se poderá prestar honras de tal natureza, sem que se repute ser isso um sarcasmo cuspido sobre os restos mortais de…

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Um palácio nascido da simplicidade franciscana

  Palácio Seráfico Às margens do escuro rio que separa o Estado do Paraná de Santa Catarina, na área metropolitana de Curitiba, palco de alguns episódios sangrentos durante a Revolução Federalista e a Guerra do Contestado, vive um povo laborioso e pacato, em duas ou três ocasiões flagelado por devastadora enchente do negro rio. Dotados de grande fé, os rionegrenses sempre elevaram seus corações ao alto nestas ocasiões trágicas de sua história. No ponto geograficamente mais alto da cidade se encontra um monumento que convida a população e a todos que por ali passem à consideração das coisas celestes. No…

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A morte da Rainha Estefânia

Havia apenas um mez que, na Real Capella das Necessidades, se celebrára o casamento da Infanta D. Maria Anna com S.A.R. o Príncipe Jorge   da Saxonia, confirmando-se assim à face de Deus os contractos que os plenipotenciários tinham tratado e assignado: o Marquez de Loulé, pelo Rei de Portugal, e o Conde Carlos Frederico Vitzhun de Eckstaedt, pelo Rei da Saxonia. Fôra D. Luiz, então, simples capitão de mar e guerra, buscar a bordo do seu navio o noivo, e foi também D. Luiz, quem depois do primeiro mez de lua de mel gozado no Paço de Belém, os…

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A missão católica na América, analisada pelo Presidente Teodoro Roosevelt

A fé católica inspirou aquela esplêndida floração do tempo dos Reis Católicos, de energias intelectuais e morais mais exuberantes que as dos bosques virgens desta América. Daqueles frutos sazonados do século do ouro espanhol ela criou o caráter hispano, robusto e viril, nobre e generoso, grave e valente até a temeridade; os sentimentos cavalheirescos daquela raça potente de heróis, sábios, santos e guerreiros, que nos parecem hoje legendários; daqueles corações indomáveis, daquelas vontades de ferro, daqueles aventureiros nobres e plebeus que, com pobres barcos de madeira, corriam a dobrar a terra e alargar o espaço, limitando esfericamente o Globo e…

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São Casimiro, príncipe polonês
Principe São Casimiro

São Casimiro, príncipe polonês

  “São Casimiro, príncipe polonês, nascido em 1458, foi o terceiro filho de Casimiro III, rei da Polônia e Isabel da Áustria, filha do imperador Alberto III. Seu preceptor foi João Dugloss, cônego da catedral e historiador da Polônia, homem cultíssimo e profundamente virtuoso e que exerceu benéfica influência sobre o jovem príncipe. Este, criança ainda, dedicou-se às práticas de mortificação e piedade. Usava um cilício sob seus trajes de corte e seu espírito era tão unido a Deus, que sua paz interior manifestava-se numa grande serenidade de rosto. Amava profundamente a Igreja e uma coisa se lhe tornava clara, a partir…

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Verdadeira fidalguia: humildade e grandeza

  Uma sociedade imoral ou amoral, que já não sente na consciência e já não demonstra nos actos a distinção entre o bem e o mal, que já não se horroriza com o espectáculo da corrupção, que a desculpa e que a ela se adapta com indiferença, que a acolhe com favor, que a pratica sem perturbação nem remorsos, que a ostenta sem rubor, que nela se degrada, que se ri da virtude, está no caminho da ruína.   A alta sociedade francesa do século XVIII foi, entre muitos outros, um trágico exemplo disso. Nunca uma sociedade foi mais refinada,…

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Um edifício para comemorar a Independência do Brasil

  Em 23 de novembro de 1884, a Princesa Isabel escrevia em seu diário: “O campo do Ipiranga é muito bonito e daí tem-se vista magnífica. Quando o belo monumento, de que o Betzi (sic!) me mostrou o plano, estiver pronto e daí houver um boulevard até o Brás, poderemos dizer que temos com que comemorar o fato da Independência de nosso país”.   (...)   A construção de um grandioso monumento que lembrasse às gerações futuras a proclamação da Independência, no mesmo lugar em que se tinha dado o histórico acontecimento, estava preocupando há muito não só os paulistas,…

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A Rosa de Ouro
A condecoração papal denominada Rosa de Ouro

A Rosa de Ouro

Agradecemos à Princesa Isabel o fato de ter nos proporcionado a libertação, merecendo por isto, do Papa Leão XIII, o prêmio da Rosa de Ouro que hoje se encontra no Acervo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, tendo-a a Cúria recebido das mãos do Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleaens e Bragança, neto da Redentora. Convém lembrar que a distinção conferida por Sua Santidade, outorgava um fabuloso prestígio muito difícil de aquilatar em nossos dias. Para se ter uma pálida idéia, o Prêmio Nobel não é nem sombra do apoteótico prestígio que conferia a Rosa de Ouro naqueles idos…

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Marquês de Comillas, varão forte, Grande de Espanha e Servo de Deus
Don Cláudio de López Bru, segundo Marquês de Comillas Nasceu em Barcelona, a 14 de maio de 1853 e faleceu em Madri, a 18 de abril de 1925. Seu nome completo era Claudio Segundo Bonifacio Antonio López del Piélago y Bru. Filho de Antonio López y López e de Luisa Bru, foi o quarto dos filhos nascidos. Doutorado em Direito pela Universidade de Barcelona. Em 1881 casou-se com María Gayón Barrié. Não teve descendência. Herdou de seu pai, falecido a 16 de janeiro de 1883, os títulos de Marquês e "Grande de Espanha", além de vultosa fortuna. Em 1945, teve início seu processo de beatificação.

Marquês de Comillas, varão forte, Grande de Espanha e Servo de Deus

  Tenho em mãos  uma biografia do segundo Marquês de Comillas, extraída do próprio processo de beatificação, e posta ao alcance do público pelo próprio postulador de sua causa. Portanto é um documento dos mais seguros. O título é: "Un Marqués Modelo" - "El Siervo de Dios, Cláudio de López Bru, Segundo Marqués de Comillas". "Por el Rvdo. Pe. Eduardo F. Regatillo SJ (da Companhia de Jesus), Postulador", Sal Terrae, Santander, 1950. * A vida do primeiro Marquês de Comillas, filho de uma mendiga O pai dele era um homem que tinha nascido na mendicância e tinha feito fortuna. Eram…

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Um santo cuja memória incomodava Henrique VIII
Martírio de São João Becket - Foto: Wolfgang Sauber

Um santo cuja memória incomodava Henrique VIII

  Foi particularmente feroz o procedimento contra a memória de Tomás Becket, só pelo temor de que seu exemplo pudesse arrastar outros a opor-se à autoridade espiritual do rei. A 24 de abril de 1538, Tomás Becket foi citado formalmente para que comparecesse em juízo e desse conta de si. Como o santo, depois de trinta dias, empenhasse em não sair de sua sepultura, onde descansava havia três séculos e meio, o Rei, por graça, concedeu-lhe um defensor. Tomás foi declarado culpado de rebelião, de contumácia e traição. Seus ossos foram queimados, as preciosidades de seu sepulcro confiscadas para o…

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