O relacionamento humano medieval

Na sociedade medieval os relacionamentos humanos não eram tanto baseados nos contratos de serviço, mas nos contratos pessoais em que um homem se dá inteiro e recebe uma proteção total. Hoje, os contratos entre patrão e empregado, ou entre patrão e patrão, empregado e empregado, são contratos trabalhistas, contratos de compra, venda, empréstimo, etc., e locação de serviços. Esse tipo de contratos está restringido aos interesses e vantagens particulares legítimos. Porém, não se pode dizer que atendem a todos os desejos de relacionamento que existem no homem. Trata-se de contratos legais onde o relacionamento de alma é secundário ou está…

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O culto do número e o mecanicismo revolucionário

Vaso de porcelana de Sèvres - Exemplo de qualidade nascida da Cultura (foto: P. poschadel) Número é uma palavra que supõe a noção de quantidade. Bem distinta desta é a noção de qualidade. O culto do número é o estabelecimento de uma ordem de coisas na qual a quantidade seja critério supremo. Evidentemente, tal ordem de coisas é profundamente distinta de outra em que se colocasse no devido realce o fator "qualidade". Na concepção revolucionária, essencialmente igualitária, o fator qualidade é necessariamente prejudicado em favor da quantidade. Pois se todos são iguais devem ter a mesma cultura, a mesma educação,…

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Conselheiro João Alfredo

  Dr. João Alfredo Corrêa de Oliveira (1835-1919), tio-avô de Plinio e presidente do Conselho de Ministros do Império, autor da célebre lei Áurea que, em 1888, aboliu a escravidão no Brasil Ignoramos as razões por que o riquíssimo arquivo deixado pelo conselheiro João Alfredo ainda não tentou o talento e a curiosidade de algum biógrafo. Nesse arquivo, ao par de documentos históricos de primeiro valor figuram trabalhos do conselheiro ainda inéditos, entre os quais uma história da Revolução de 1817 em que é cabalmente demonstrada a tese de que a maior parte de seus cabecilhas não desejava a proclamação…

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A legitimidade por excelência

  Em geral, a noção de legitimidade tem sido focalizada apenas com relação a governos. Atendidos os ensinamentos de Leão XIII na Encíclica Au Milieu des Solicitudes, de 16 de fevereiro de 1892, não se pode entretanto fazer tabula rasa da questão da legitimidade governamental, pois é questão moral gravíssima que as consciências retas devem dar toda a  atenção. Porém não é só a este gênero de problemas que se aplica o conceito de legitimidade. Há uma legitimidade mais alta, aquela que é a característica de toda ordem de  coisas em que se torne efetiva a Realeza de Nosso Senhor Jesus…

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A conversão admirável de uma princesa

  Cid Alencastro   Retrato da princesa Ana de Gonzaga de Clèves, princesa palatina, nasceu em 1616.(1) Teve importante papel político na França durante a minoridade do Rei Luís XIV. Ao ficar viúva em 1663, se bem que já tivesse 47 anos de idade, espantou a corte francesa pela licenciosidade de seus costumes e seu pouco caso para com a Religião. Ostentava não crer na Eucaristia nem na Igreja, e zombava da fé. Diz-se que chegou por ódio a queimar fragmentos do Santo Lenho. Repetiam-se seus escândalos, até o momento em que uma graça fulminante a tocou e produziu nela…

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São Luís IX: afabilidade de santo, rei e guerreiro

Luis Dufaur   Jean de Joinville, senescal de Champagne uniu-se à Sétima Cruzada organizada pelo rei São Luís IX em 1244. Durante a campanha militar, Jean foi conselheiro e íntimo confidente do rei, participando de muitas de suas decisões. Após a morte do rei santo, ocorrida na Tunísia em 1270 durante a Oitava Cruzada, a rainha Jeanne I de Navarra encomendou-lhe uma História de São Luís (Histoire de Saint-Louis), que o cronista completou em 1309. São Luís já havia sido canonizado em 1297, processo que contou com os depoimentos de Jean de Joinville como antigo confidente.     Jean de Joinville oferece seu livro ao futuro…

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Carta inédita de São João Bosco a Francisco José, imperador da Áustria-Hungria

  No Segredo de La Salette Nossa Senhora considera que o futuro da Igreja e o futuro da ordem temporal estão intimamente ligados. Na carta a seguir de São João Bosco ao imperador da Áustria-Hungria - naquele tempo o maior chefe de Estado da Europa - encontramos a mesma percepção dessa interrelação. São João Bosco prenuncia que tempos tempestuosos se avizinham para a Igreja e para as nações. Essses días difíceis adviriam como castigo pelo abandono da prática da Lei de Deus. O santo, então, comunica da parte de Deus ao imperador católico toda uma estrategia de ação política internacional,…

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Rainhas Maria Stuart e Maria Antonieta: sublimadas pela morte

  A História dá exemplo de vários reis e rainhas que, enquanto tais, tiveram uma atuação e um comportamento muito a desejar, tanto por seus erros como por suas omissões, tanto na esfera política como no campo moral. Tais governantes, entretanto, confrontados com uma situação de infortúnio, que para eles se configurava como a condenação à morte violenta, souberam encará-la com serenidade e espírito de fé, transformando o cadafalso em que subiram no pedestal de sua própria grandeza. Desses exemplos históricos, escolhemos o de duas rainhas, que parecem ser dos mais significativos: Maria Stuart e Maria Antonieta. Maria Stuart (1542-1587)…

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Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

  Santo Amando, bispo de Maastricht, dita seu testamento. Vida e milagres de Santo Amando, século XII. Biblioteca Municipal de Valenciennes, Ms.501, f.58v-59   No livro “Charlemagne” de Alphonse Vétault (Tours, Ed. Alfred Mame et fils, 1876) se encontra uma Epístola ad Baugulfum abbatem Fuldens. É uma carta do imperador Carlos Magno endereçada a esse abade de Fuldens: Carlos, pela graça de Deus, rei dos Francos e dos Longobardos, patrício dos Romanos, em nome de Deus Todo-Poderoso, saudação. Há frases aqui que cantam e tem uma grandiloquência que não se sabe como elogiar: “Carlos, pela graça de Deus, rei dos Francos e…

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Esplendor e elevação nos trajes nobres

Interessante mostra em Versalhes despertou a admiração do público, atraído pela beleza e elevação cultural de séculos passados Marcelo Dufaur Paris –– A mão é de um adolescente apenas saído da infância. Delicada e régia, franzina e forte, envolvida em rendas e sedas, pérolas e pedras preciosas, esboçando um gesto discreto mas soberano, a mão de Luís XIV na idade de assumir o trono foi o símbolo escolhido pelos organizadores da exposição “Fastos de corte e cerimônias reais”, que teve lugar no palácio de Versalhes [foto ao lado]. A mostra ressaltou o espírito aristocrático na Europa dos séculos XVII e XVIII, expondo desde vestimentas para…

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Carlos Magno, Patriarca da Europa (741-814)

  O papel de Carlos Magno como autêntico edificador da Europa católica é ímpar, tendo ele lançado os fundamentos das nações européias mediante a fundação de um Império que veio a se tornar o Sacro Império Romano Alemão. No ano 8OO, o Papa Leão III recebeu Carlos Magno em Roma, e o proclamou Imperador. Com o Sacro Império de Carlos Magno nasceu a Europa como unidade de civilização, a Europa católica. Seu poder, sua grandeza e sua glória eram reconhecidos além de suas fronteiras. Ele foi o árbitro supremo de toda a Europa cristã, o sustentáculo da Idade Média. Carlos…

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A missão providencial do Brasil

,   Se analisarmos as origens psicológicas e morais de nossa Pátria, vemos que, de Portugal herdamos a bondade, a valentia e um certo senso prático que não descola da realidade. Dos negros recebemos uma apetência para o colorido, o maravilhoso. Dos índios, a esperteza. O resultado: um espírito brasileiro extremamente variegado, sutil, com facilidade para fazer correlações entre as coisas e grande senso do universal. Uma senhora paulista que conheci, de tradicional família de quatrocentos anos, exprimiu certa vez o ideal de vida dela, mas que era, no fundo, o ideal de vida do brasileiro. Dizia ela para seu…

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O tipo humano ideal do nobre católico

 São Luis IX, rei de França: modelo de monarca, nobre, cavaleiro e cruzado A função mais importante da nobreza era participar no poder do rei. Os nobres exerciam em ponto pequeno, no lugar onde possuíam suas terras, uma missão parecida com a do rei em seu reino. Os grandes nobres eram conselheiros do monarca. Quando este julgasse necessário, tinha o direito de exigir o comparecimento daqueles à capital do reino para a reunião do Conselho. Ali eles eram obrigados em consciência - o que na Idade Média tinha o valor de um compromisso formal - a dar honestamente sua opinião…

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