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marista

Proferido no Colégio Diocesano de São José no Rio de Janeiro em 8 de dezembro de 1905, como paraninfo na colação do grau de bacharel em ciências e letras.

Exm. E Revm. Sr. Governador do Arcebispado.

Revd. Visitador da Congregação dos Maristas.

Revd. Reitor do Colégio Diocesano.

Exma. Senhoras.

Meus Senhores.

Triunfante a revolução e separado da Igreja o Estado; rotos assim os vínculos que através do Brasil Império nos vinham desde as mais remotas origens da nossa nacionalidade; proclamado o indiferentismo religioso no mundo oficial e erguida uma barreira entre a Nação Brasileira e o Deus de nossos pais, — nem por isto se aniquilou a crença dos brasileiros e antes lhes recresceu o dever de acudir às necessidades da religião, entre as quais avulta a da educação dos filhos.

A dissociação da crença religiosa e da instrução é uma utopia que não resiste à menor análise. O sentimento e as idéias do professor no tocante às causas finais e à constituição do universo inevitavelmente se refletem no ensino que ele tem de ministrar à juventude. O ideal de uma escola em que jamais se esflrore, sequer, um assunto de religião, é uma vã criação da falsa democracia, que pretende guerrear a Deus, proibindo que n’Ele se fale.

Já por alguém foram assinaladas as fases de oposição e hostilidade que tem atravessado o cristianismo.

Primeiros os potros e os eqüídeos, os pentes de ferro, as rodas dentadas que rasgavam as carnes, os circos de feras e as lúgubres oficinas dos carnífices: — foi a época do terror, época de que luminosos, e agitando palmas triunfantes, saíram os primeiros mártires cristãos.

Depois veio a contradita, a impugnação, o cisma sob a forma sofistica dos heresiarcas medievais ou, conglobando todos os erros já vencidos, sob a falaciosa aparência de um protesto de liberdade de interpretação. Foi a quadra dos pretensos reformadores, Lutero continuando João Huss… Mas, vencedora ainda, a Igreja, aproximou-se do seu único chefe, e, em frente das negações protestantes, afirmou a sua unidade indestrutível, assentando, mais tarde, como remate desse movimento sublime, a solene proclamação da inerrabilidade pontifícia.

A satânica explosão que os anti-cristãos saúdam como a grande emancipação do espírito humano, — a revolução francesa em 1789, — principalmente resultou da sistemática e implacável desmoralização do princípio da autoridade, propaganda de que se fizeram corifeus os Voltaires e os Rousseaus — pluralizados estes nomes, porque verdadeiramente se deveram chamar Legião, nomen mihi est legio, quia multi sumus, como lá diz o Evangelho (Marc., v. 9). O sarcasmo, pelo feitio mais pungente que imaginar se possa, foi então a grande arma da irreligião. Cessara a função do carrasco e do sofista, e, durante muitos anos, Jesus Cristo e sua doutrina, mais duramente ainda que no átrio de Pilatos, curtiram as irrisões e os apódos dos filosofantes, que preparavam o cataclismo social.

Ele veio e pela aversão da autoridade organizou este mundo novo que vemos oscilar ao sabor das revoluções, fazendo e desfazendo governos, e trucidando despiedoso os chefes de estado, quer se aderecem com a coroa, como Humberto da Itália, quer simples depositários de um poder efêmero, como Mac Kinley ou Sadi Carnot. Ela dura ainda, a tremenda procela revolucionária; mas quando, aterrado por tais horrores, em torno de nós procuramos algo estável e permanente, logo se nos impõe esta Igreja de Cristo, fundada sobre a rocha dos príncipes e que, assoberbando as ondas irritadas, bem alto eleva o seu fanal, índice e guia da salvação.

Agora, senhores, não é mais a vez da tortura, nem a do sofisma, nem a do sarcasmo — agora é a vez do silêncio. Vencido na tríplice fase da sua campanha contra Deus, o espírito da negação adotou um singular sistema de combate: nega-se a si próprio por melhor negar o Criador. As constituições que ele inspira, não perseguem nem contradizem, nem zombeteiam: mandam simplesmente calar o nome adorável do Criador e fonte de todo o bem. Chamou-se isto — separação da Igreja do Estado. Na falange adversa ao cristianismo formigam lemas que propugnam tal modus vivendi: nas cortes católicas — ai de nós! — também não falta quem praticamente o sufrague, atenta a dureza dos tempos… Mas, Deus, senhores, o eterno regedor dos povos, o indefectível dispartidor dos bens e males que opulentam ou degradam as nações na devida conta leva estas apostasias públicas, estas negações afrontosas, que tão diretas se opõem aos desígnios providenciais de formação de sua Igreja.

Não me compete, senhores, neste lugar e com a brevidade que me impõem as circunstâncias, longamente desenvolver tais idéias, trabalho fácil, aliás, e em que copiosos auxílios me forneceriam os que do assunto já se têm fartamente ocupado; mas lícito me seja encarecer, posto que sumariamente, os crescentes encargos de que aos pais de família, em geral, e em particular aos católicos, incumbe a nova ordem de coisas, na qual, da direção religiosa da juventude, se desinteressam os poderes públicos.

Todo homem que constitui família e a quem a divina Bondade concede a benção dos filhos, não se pode manter indiferente à formação do espírito, à educação da prole. Tendo dito educação, tenho dito tudo, porque não falei simplesmente de instrução. Instruir é fácil; no educar é que está a dificuldade. Em uma grande capital, com já é o nosso Rio de Janeiro, abundam professores que, com maior ou menor competência, podem ministrar aos moços variadas noções de matemática, de ciências físicas e naturais, de línguas e literaturas, de geográfica e de história… Mas o que principalmente importa, não é tanto o ensino, como o espírito com que seja ministrado.

Se do estudo da natureza física não resultar o sentimento da unidade de composição desse admirável conjunto que, com semelhança notável, os Gregos denominaram Cosmos e os Latinos Mundus; se das estrofes balbuciadas nos laboratórios e nos museus não fizerdes um hino, o hino sublime que os Galenos e os Newtons entoavam no começo e no fecho de suas obras geniais; se das minúcias, talvez demasiadas, da moderna observação, não ascenderdes até aos grandes princípios da filosofia natural, — baldados terão sido os vossos esforços, e na inteligência juvenil mal ficarão úteis vestígios de tais ensinamentos. Imperitamente guiados, os vossos discípulos terão recitado as estâncias sem perceber o poema, e admirado algumas pedras, um fuste ou um capitel, sem compreender a majestosa traça do monumento.

Em vão também os obrigareis a decorar datas e nomes históricos, se a exercícios puramente cronológicos e onomásticos se tem de reduzir o seu trabalho. A história não é, como pensam alguns pedagogos, uma transcendente matéria que se deva reservar para o ensino superior. Longe disto, uma filosofia não pedantescamente inacessível, mas profundamente moral, infiltra-se em todas as páginas da história e tão clara se mostra à meditação do sábio quanto ao bom senso da criança.

E aí, como em tudo, é preciso que filosófica e religiosamente se revele o professor.

Citai um data (já observou alguém) e eis suscitada no espírito do ouvinte a questão da era, isto é, do fato que se tomou como origem para o cômputo dos tempos.

— É nascimento do Cristo, dirá o professor… — mas que homem esse, (interrogará o aluno) que homem esse, cujo advento ficou um marco, o marco capital, na história da humanidade? Um conquistador? Um rei de muitos povos? Um descobridor de continentes? — Não; um judeu que morreu no patíbulo… Esta resposta, senhores, o professor tem de explicá-la sob pena de não ser professor. Se a der, denunciando um erro de superstição universal, terá negado ao Cristo; se devidamente explanar a verdade, terá dado uma primeira e inolvidável lição de cristianismo.

Assim, por toda a parte, e aonde quer que levemos os olhos, o problema religioso se nos depara, temeroso, inadiável. Em vão nos prescreve o positivismo uma perpétua suspensão de juízo sobre o que mais nos interessa conhecer. Chegado àquela plaga temerosa aonde vêm bater as vagas do infinito, quedava-se Littré, desanimado e triste, porque para sulcar tais ondas lhe faleciam batel e velas… Pois bem, senhores, essa desanimada quietação do filósofo não é, não pode ser a regra geral da humanidade. A travessia do infinito é a máxima questão humana — e argonautas desse mar misterioso são todos os crentes e todos os bons, não desfibrados pelo filosofismo, e que no Evangelho aprenderam a caminhar por sobre o pego, sustentados pela mão do Cristo.

Urge, pois, que às portas da escola se opte pelo sistema filosófico que tem de vivificar o ensino.

Pais católicos é dever de consciência vosso, e dever inelutável, a educação, não simplesmente a instrução de vossos filhos. Não os entregueis, querendo que como vós sejam cristãos, a essas escolas onde não é lícito falar em Deus.

Mas não somente aos pais cristãos se endereçam agora as minhas palavras, senão também aos que o não sejam, e bem assim aos governos que não são nem deixam de ser cristãos.

A um pertinaz adversário de toda religião revelada, e que tinha os filhos em conhecido colégio católico, perguntei, certa vez, porque assim procedia, de modo tão dissonante de suas notórias idéias irreligiosas; ao que prestamente me respondeu: — Para mim são indiferentes todas as religiões; mas prefiro que por ora sejam católicos os pequenos, porque isto os mantém quietos e morigerados.

Nisto, senhores, vai por igual uma lição aos pais de família e aos chefes de povos. Perpassa por todo o mundo um sopro de rebelião e desordem. Erguem-se primeiro os generais contra os imperadores, depois os subalternos contra os generais, agora já soldados e marujos contra os subalternos. Aspirações indefinidas e indefiníveis, tendências para derruir sem que se cogite no que há de estabelecer, descontentamentos que têm as suas raízes na inveja e que com poderosos galhos bracejam no ambiente insalubre do socialismo, as mais odiosas violências sob a fingida capa de propagandas populares, o cetro do mundo prometido às populaças ininteligentes e viciadas, a dinamite substituindo o discurso e o livro, o pavor e a morte erigidos em meios de convicção — eis os consectários dessa revolução cujos filhos principiam a colher os amargos frutos da triste sementeira.

Para aplacá-la, a tormenta que estua no velho mundo, e que já está repercutindo no fronteiro continente, o segredo não está na repressão pela força, mas na doutrina que consola e que salva, a doutrina do Cristo. É preciso cristianizar o mundo; é preciso que a torrente do Evangelho, momentaneamente embargada pelos ímpios, retome o seu curso refrigerante e fertilizador, levando o conforto e a vida dos areais abrasados pela soalheira da revolução. Urge cristianizar o mundo, e, senhores, o meio mais fácil de o conseguirmos é cristianizar a escola.

Convicto desta grande verdade foi que, Reverendos Irmãos Maristas, o venerável fundador da vossa Congregação, o padre Champagnat, bem claro traçava os delineamentos da educação cristã, ao lançar as bases do vosso instituto.

“Se apenas se tratara (disse ele) de ensinar aos meninos as ciências humanas, os Irmãos Maristas não seriam necessários, porque para essa tarefa bastariam os mestres da escola. Se tão somente pretendêramos prover à instrução religiosa, contentar-nos-iam as funções de meros catequistas, e uma hora por dia certo que fora suficiente para reunir as crianças e fazê-las repetir as verdades cristãs. Porém melhor ainda projetamos fazer: queremos educar a juventude, isto é, instruí-la em seus deveres, ensiná-la a praticá-los, dar-lhe o espírito e sentimentos do cristianismo, hábitos de religião, virtudes cristãs e cívicas. Para isso é preciso que nos façamos professores, que vivamos entre os nossos discípulos e que diuturna seja a sua convivência conosco”.

Eis, senhores, os conceitos que partiram no nobre e santo fundador dos Maristas; eis, com admirável concisão, exposto o fim da sua ordem, a sua razão de ser, o papel que providencialmente lhe está marcado na obra da propaganda cristã, e que, mercê de Deus, estão desempenhando em nossa pátria.

Aqui, onde escasseia o clero; onde há dioceses sem recursos para manter seminários; onde à mingua de párocos desmedram muitíssimas freguesias; e onde o zelo apostólico das rareadas fileiras do sacerdócio, apesar de toda a sua dedicação, não logra prover às necessidades espirituais do povo — aqui, muito em boa hora, apelou a sabedoria do Sr. Cardeal Arcebispo para a coadjuvação dos beneméritos Maristas.

Obra patriótica e essencialmente brasileira é, pois, a que eles estão a fazer, cooperando para a educação da juventude nacional; porque, senhores, todo o segredo da reconstrução moral deste país está no levantamento do caráter, e tal escopo só atingiremos assentando as virtudes cívicas sobre os largos e sólidos fundamentos da verdade religiosa.

Por isto compreendereis também as explosões que de súbito irrompem contra os educadores cristãos, desde que abram as oficinas onde trabalham à mentalidade juvenil. A revolução tolera o padre, o congregado que reza, que pede e disparte esmolas; mas não perdoa ao educador, ao formador de inteligências e corações. Em cada menino que freqüenta uma escola católica, a revolução vê uma força subtraída à sua influência, um colaborador da ordem social, um respeitador do princípio de autoridade, que ela trata de solapar, um adorador do Deus cuja providência e misericórdia ela impiedosa contesta.

Daí os ódios, a calunia soez e contra a qual penosa se faz a defesa, a exploração de todos os sentimentos baixos, de todas as perfídias e rancores, de todas as mesquinhezas e atrocidades — campanha de descrédito e difamação, a que complacente se prestam o jornalismo sectário e a propensão popular para os escândalos.

Contra esse gênero de perseguições, beneméritos Irmãos Maristas, permiti, não que vos lembre, pois não a tereis esquecido, mas que publicamente vos repita, em resumo, a sublime instrução que sobre a constância vos fez o egrégio fundador do vosso instituto.

“Temos de combater e lutar (disse o venerável padre Champagnat) contra nós mesmos, contra as nossas paixões e más inclinações; contra o leão rugidor que em torno de nós sempre vigilante e esfaimado vagueia; contra o mundo, contra suas vaidades, suas máximas e seus escândalos; contra os que gratuitamente se constituem nossos inimigos, pagando com o mal o bem que lhe fizemos; e, assim se pode dizer em certo sentido contra o próprio Deus, fazendo-lhe uma santa violência com fervorosas preces, e tolerando com resignada paciência todos os desgostos, indiferenças e provações com que ao mesmo Deus apraza que sejamos experimentados”.

“Ora, só uma inabalável firmeza e uma constância bem enérgica, podem prevalecer em tão violenta e porfiadas lutas. Os inconstantes, os pusilânimes, e os covardes nunca as poderão sustentar; grande é o seu perigo de perdição, e por isto a eles é que se endereça aquela assustadora máxima de Nosso Senhor: — que para o reino do Deus não presta quem mete a mão ao arado e se põe a olhar para trás”.

Ao arado a que metestes mãos, meus caros maristas, urge que de contínuo apliqueis os vossos melhores esforços, correspondendo assim às esperanças dos católicos brasileiros, e à confiança do eminentíssimo Arcebispo, cuja púrpura cardinalícia bem simboliza as ardências do paterno afeto que ao Brasil consagra o sumo representante de Cristo e cabeça visível da nossa Igreja.

Perseverai, pois, e inscrevereis o nome da vossa Congregação junto ao dos Franciscanos e Jesuítas, nossos heróicos catequistas; dos Beneditinos, a quem tanto entre nós deve a instrução popular; dos Lazaristas, que têm restaurado e elevado o ensino do clero em tantas dioceses nacionais.

Quanto a vós, briosos e ótimos bacharéis, umas palavras também vos direi, as últimas que vos endereço como mestre.

Longos anos convivemos, e assim pude formar sobre os vossos talentos uma convicção que me autoriza a vos prognosticar lisonjeiros destinos.

Essa convivência vai acabar, mas na separação uma idéia me consola, e é que convosco irá uma parte de mim mesmo, alguma coisa das minhas convicções, da minha fé, da minha própria alma, — que vos procurei transmitir.

Começa para mim o declínio da vida; já dos propínquos montes me descem as sombras vespertinas da existência; ao passo que ela em vós alvorece, rubra de promessas e cantante de utopias, que Oxalá se façam realidades… Segui, pois, alegres e felizes o vosso caminho, que no momento dos vossos triunfos alguma coisa deles também há de ser nossa, — minha e dos vossos outros educadores.

Muitas vezes, em meio da interpretação de uma página de Homero ou Demóstenes, eu me interrompi, preferindo ao desenvolvimento gramatical do texto a lição moral que aí se continha; e eu vos mostrei nas letras dos pagãos o sentimento religioso que vivaz as penetra e que foi o segredo da sua grandeza.

Ensejo também não nos faltava, em nossas palestras sobre literatura, para que em vossos ânimos juvenis eu surpreendesse um sadio critério, alegrado muito embora pelos ímpetos inseparáveis da juventude.

Dos sentimentos que vos animam, meus caros bacharéis, dá testemunho eloqüente, a divisa que tomastes para exornar o quadro do estilo: — Theòn oú léxo potè prostátan ischon; que um tradutor verteu em latim: — Deo non desinam unquam patrono uti; ou, em vernáculo: — Jamais deixarei de ter a Deus como meu protetor.

Ela foi tirada de uma tragédia, a do Rei Édipo, do grande Sófocles, genial agitador de paixões. O vosso lema, meus caros bacharéis, forma parte do soberbo cântico com que o coro, entremeando o elemento lírico no dramático, exora a Divindade em prol da pátria ameaçada e inditosa.

Desajudado da Revelação, o espírito helênico todavia lobrigava a idéia de Deus, só com o fraco lume da razão natural, e entusiástico o saudava, deprecando a divina proteção. Grande lição para aqueles a quem o Cristo se revela e que desdenhosos o postergam!

Não assim vós, meus caros discípulos e já também colegas; não assim vós que, por uma feliz coincidência, estudastes sob o patrocínio de Maria, comigo a invocáveis antes de todas as nossas lições, e ides receber o vosso primeiro grão no dia em que se enaltece o augusto privilégio cuja definição marca o fastígio do movimento católico no transacto século.

Assim protegidos não haverá dificuldades que se vos não aplanem, barreiras que se não abatam, perigos que se não conjurem, inimigos que se não debelem. Nós, os vossos mestres, aqui ficamos para contemplar-vos… Marchai resolutos à conquista do futuro!

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foto: Jorge Valenzuela A

 

Carlos Eduardo Schaffer
Austria

Quase um século após a proclamação da república na Áustria, em 21 de novembro de 1918, a esquerda ainda teme a influência da nobreza. Desde o fim de abril último diversos partidos estão se mobilizando para aumentar as penalidades impostas pela Constituição em 3 de outubro de 1919 aos membros de famílias nobres austríacas ou estrangeiras que ousarem utilizar publicamente seus títulos nobiliárquicos e outras honrarias conexas.

Em 3 de outubro de 1919 o Nationalrat (Conselho Nacional, equivalente à Câmara dos Deputados) da República da Áustria decretou, e em 28 de novembro de 2012 confirmou, o seguinte parágrafo da Constituição, ainda vigente:

§ 1. A nobreza, seus privilégios, bem como puras condecorações a ela concedidas, de cidadãos austríacos, ficam abolidos, com exceção dos títulos e honrarias de cargos oficiais, de profissão ou de qualificações artísticas ou cientificas e os privilégios com eles relacionados.
§ 2 Fica proibido utilizar esses qualificativos de nobreza, títulos e dignidades. Infrações serão punidas pelas autoridades governamentais com multas em dinheiro de 20.000 Krone (coroas) ou com seis meses de prisão.
Esta é a até hoje chamada Lei da abolição da nobreza, de certos Títulos e Dignidades, das Ordens Civis de Cavalaria e das Ordens Civis Femininas.

Apesar da rigorosa observância desta lei pelos membros da nobreza, todo austríaco de mínimo grau de instrução sabe quem é o príncipe, o duque, o conde ou o barão da sua região, especialmente em se tratando do interior do país. O prestígio de que goza a nobreza até hoje é muito grande.

É por esta razão que os políticos não ousam eliminar da Constituição os parágrafos relativos à abolição da nobreza, de seus títulos e privilégios, embora não haja qualquer movimento importante que trabalhe pela restauração da monarquia ou da nobreza.

A multa em dinheiro de 20.000 coroas, estabelecida em 1919, tornou-se hoje desprezível por causa da desvalorização das sucessivas moedas adotadas pela Áustria desde a proclamação da república até hoje: Krone (1918), Schilling (1924), Reichsmark (1938), novamente o Schilling (1945) e por fim o Euro (1999). A multa estabelecida em 1919 estaria valendo hoje 14 centavos de Euro. Apesar da insignificância da multa, a lei não é transgredida.

Agora, depois de 100 anos de vigência da lei rarissimamente transgredida, a deputada Daniela Musiol, porta-voz do Partido Verde para questões constitucionais, quer mudá-la. Ela apresentou no Nationalrat um projeto visando pressionar o governo federal a introduzir alterações na lei de abolição da nobreza estabelecendo multas mais elevadas para as pessoas que se apresentarem como nobres e portarem títulos ou honrarias vinculadas àquele estado.

Disse a Sra. Musiol: “Tal multa, tão baixa, não tem mais efeito dissuasório e não impede os infratores da lei de continuar o seu comportamento ilegal.” Em seguida ela se refere ao caráter republicano da Áustria atual.

Mas não é simples modificar a multa de 20.000 coroas, pois o valor está estipulado na Constituição e para modificá-lo é preciso uma maioria de dois terços no Nationalrat. Além disso, a Constituição não prevê a conversão de padrões monetários do Krone em euros.

Barão é obrigado a pagar multa dez centavos

Que a lei não é letra morta mostra-o uma sentença judicial publicada em 2007. A pedido de um órgão administrativo da cidade de Viena, o “cidadão Helmut RB” (o tribunal manteve incógnito o nome do infrator) foi condenando a pagar uma multa de 10 centavos de euro, por ter usado em seu cartão de visitas o título de Barão. É de se notar que a multa máxima de 14 centavos nem sequer foi aplicada.

Na sentença, o tribunal deu a entender ao órgão acusador que considerava permitido por lei a aplicação de multas de qualquer montante, mesmo as de valores não susceptíveis de desencorajar as pessoas a cometer o ato “criminoso”.

O Barão Helmut von RB apelou para o então primeiro-ministro Wolfgang Schüssel. Mas o recurso não foi aceito, por ser considerado “sem relevância”.

A atual pretensão do Partido Verde baseia-se numa “Iniciativa Popular” encabeçada pela deputada Daniela Musiol, que em três anos coletou apenas 31 assinaturas válidas. O projeto de lei por ela apresentado pede que o deputado socialista Josef Ostermayer, chefe de gabinete do primeiro-ministro Werner Faymann e encarregado de questões constitucionais, elabore um texto de lei prevendo multa adequada para o delito.

A Áustria está sendo atualmente governada por uma coalizão entre o SPÖ (Sozialdemokratische Partei Österreichs), Partido Social-democrata da Áustria, majoritário na coalizão, e o ÖVP (Österreichische Volkspartei), Partido Popular da Áustria. Em ambos os partidos o projeto de lei conta com o apoio de certo número de deputados, mas talvez não o suficiente ainda para formar com outros partidos de esquerda a necessária maioria de dois terços.

A iniciativa de Musiols contra a nobreza pode vir a ser coroada de êxito. “Estamos inteiramente abertos a sugestões”, diz o grupo parlamentar dos socialistas do SPÖ. Porque se algo está sob ameaça de punição, então a sanção para este delito deve ter também uma pena significativa.

Um argumento semelhante emite o deputado Wolfgang Gerstl, porta-voz do ÖVP para temas constitucionais. “Sou a favor de um aumento do valor da pena, caso contrário, a lei não faz sentido.” Não há necessidade de uma modificação profunda da lei. É preciso apenas atualizar o valor da multa. “Uma lei sem pena relevante é um tigre de papel sem dentes”, diz Gerstl. Mas acrescenta: “Graças a Deus, a lei hoje não tem relevância. Porque certamente não estamos invadidos por nobres que querem derrubar a democracia.”

No entanto, o chefe do grupo parlamentar dos Neos (Das neue Österreich und Liberales Forum – O Novo Fórum Liberal da Áustria), Nikolaus Scherak, quer que o assunto seja mais debatido: “O que importa é saber se a razão que moveu o legislador ao elaborar a lei ainda existe”, diz ele. “Mas se você chegar à conclusão de que a lei ainda é necessária, então deve-se, na verdade, adaptar a punição.” O escritório do ministro Ostermayer faz saber que o SPÖ quer também esperar as discussões em nível parlamentar para se pronunciar definitivamente.

É bem verdade que não existe na Áustria qualquer movimento proveniente da nobreza para derrubar a democracia. Mas, após quase 100 anos sem existência jurídica, essa classe social, com seus bailes, casamentos e batizados noticiados por toda a imprensa tanto da Áustria quanto do resto do mundo e seus membros ocupando postos importantes na administração de empresas privadas, traz à lembrança de todos os quase 500 anos ininterruptos da gloriosa história da família dos Habsburgos à frente do Sacro Império Romano Alemão e mais de um século à cabeça do Império Austro-Húngaro.

AustriaO Arquiduque Ulrich von Österreich — que pode se chamar simplesmente de Ulrich Habsburg — afirma que a noção de Nobreza não poderá ser apagada da memória do povo austríaco enquanto se continuar ensinando nas escolas que o príncipe Montecuccoli foi chefe vitorioso na batalha contra os turcos, que o Príncipe Eugenio de Saboia [monumento ao príncipe em Viena] libertou a Hungria e várias outras regiões do Império do jugo muçulmano, que o Imperador Francisco José, com apenas 50 mil funcionários, administrou a vida de mais de 350 milhões de súditos divididos em inúmeras etnias e regiões; ao passo que a Áustria de hoje, com apenas um pouco mais de oito milhões de habitantes, emprega mais de 200 mil funcionários públicos!

Seria preciso apagar dos livros e dos programas escolares quase 800 anos de história da Áustria a fim de acabar com a noção de nobreza no povo austríaco.

Alem disso, seria também necessário proibir o fluxo anual de milhões de turistas, que em sua maioria procuram os monumentos históricos — castelos, palácios, igrejas, museus, centros históricos das cidades etc. — que não falam senão do glorioso passado monárquico da Áustria.

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Casamento_princesa_isabel

O Rio de Janeiro está em festas – festas realizadas anteontem e festas adiadas para 24 e 25. O casamento da herdeira da coroa é o assunto do momento.
Um céu puro e um sol esplêndido presidiram no dia 15 a este acontecimento nacional. A natureza dava a mão aos homens; o céu comungava com a terra.
Não descreverei nem a festa oficial nem a festa pública. Quem não assistiu à primeira leu jà a relação dela nos andares superiores dos jornais; na segunda todos tomaram parte – mais ou menos – todos viram o que se fez, em arcos, coretos, pavilhões, iluminações, espetáculos, aclamações e mil outras coisas. E sobretudo ninguém deixou de ver e sentir a melhor festa, que é a festa da alegria íntima, natural, espontânea, a festa do cordial respeito que o povo tributa à primeira família da nação.
Uma das coisas que fez mais efeito nesta solenidade foi a extrema simplicidade com que trajava a noiva imperial. É impossível desconhecer o delicado pensamento que a este fato presidiu, na idade e na condição de Sua Alteza: as suas graças naturais, as virtudes do coração e o amor deste país, são o seu melhor diadema e as suas jóias mais custosas.
(Machado de Assis – Diário do Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1864)

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Foto: G. Freihalter

Uma admirável e infelizmente pouco conhecida irmã de Luís XVI –– o rei-mártir, vitima da Revolução Francesa ––, falecida a 7 de março de 1802, e em vias de ser beatificada, soube aliar os esplendores de sua ascendência principesca e a condição de rainha com a heroicidade das virtudes

Julio Loredo
Correspondente

Roma – Visitando recentemente uma igreja moderna em Nápoles, chamou-me a atenção a homilia que o sacerdote fazia durante a Missa. Falava ele de uma rainha santa enterrada nessa cidade, figura histórica muito popular entre os napolitanos.

Vivamente impressionado pela personagem, objeto de tanta devoção popular, dirigi-me à velha igreja de Santa Catarina a Chiaia para onde, em número cada vez maior, acorrem os fiéis a fim de venerar os restos mortais de Maria Clotilde de Bourbon, Rainha da Sardenha (1759-­1802), hoje em processo de beatificação.

É evidente que há um trabalho da Providência”, explica-me o Pe. Antonino d’Chiara, jovem e dinâmico vigário de Santa Catarina. “A devoção à Venerável Clotilde de Bourbon estava praticamente moribunda. Porém, de alguns anos para cá, assistimos a uma verdadeira explosão de entusiasmo para com a Rainha perseguida pela Revolução Francesa “.

– “A que atribui o Sr. esta explosão?” , indago curioso.

– “Estamos numa hora histórica muito especial” – responde o sacerdote -; “uma série de preconceitos contra a nobreza estão desaparecendo. Agora começa-se a compreender que pode haver, e de fato houve, muita santidade entre os nobres, mesmo de estirpe real. Eu mesmo estou compreendendo cada vez mais as inter-relações entre nobreza e santidade. A Venerável Maria Clotilde não foi santa apesar de ser rainha. Ela foi santa e rainha. Sua condição de rainha foi vivida com profunda Fé e espírito de sacrifício. Agora esperamos vê-Ia elevada à honra dos altares” .

Maria Clotilde Adelaide de Bourbon nasceu em 23 de setembro de 1759, em meio aos esplendores do Palácio de Versalhes. Neta do Rei Luís XV, filha do Delfim Luís de França, irmã do futuro Rei Luís XVI, Maria Clotilde estava destinada a um porvir à altura de sua condição de princesa real.

Na Corte, a princesinha era como um raio de luz. Escrevendo a sua mãe Imperatriz Maria Teresa, a futura Rainha Maria Antonieta dizia: “A Clotilde é a doçura personificada, composta, sensível e sempre com um sorriso de bondade à flor dos lábios” .

Muito cedo deu mostras de elevada piedade. Aos três anos lia diariamente o Catecismo. Pouco depois, vendo uma tia – a Princesa Luíza, filha de Luís XV – abandonar a vida da Corte para tomar o hábito de carmelita, manifestou o desejo de imitá-la. A razão de Estado, porém, lhe reservara outro destino.

Em 1775, com apenas 16 anos, uniu-se em casamento com Carlo Ema­nuele de Savóia, Príncipe do Piemonte, herdeiro do trono da Sardenha trasla­dando-se para Turim, capital’ de seu novo reino. A Providência lhe foi benigna, pois seu real consorte era também fervoroso católico.

Maria Clotilde logo cativou os corações de seus novos súditos, edificados em ver tanta piedade na jovem princesa vinda da França. As memórias da época são unânimes em ressaltar seu requinte e grandeza, como também sua extraordinária humildade e seu espírito de mortificação. Quando a família real saía à rua para dirigir-se à igreja ou a alguma função de protocolo, o povo se apinhava gritando:

“Vamos ver nossa santa passar!” O próprio Príncipe do Pie­monte freqüentemente pedia que as pessoas se encomendassem à sua esposa, pois “ela é iluminada e mantida pelo Céu” .

“Tanta espiritualidade numa princesa e numa rainha não nos deve espantar” , escreve um biógrafo da santa, o Pe. Giovanni Parisi. “A alta aristocracia e a nobreza em geral conservavam – mesmo nos faustos indispensáveis da vida de corte – ainda íntegros os princípios da moral, da retidão, da devoção à Igreja. Isto é largamente demonstrado pela longa lista de santos e beatos entre as casas reais da Europa. A Casa de Savóia não estava, neste ponto, em último lugar” (1).

Com apenas 24 anos, tendo perdido toda esperança de dar um herdeiro ao trono dos Savóia, de acordo com seu consorte a Venerável fez voto de castidade e decidiu viver com seu esposo na mais perfeita continência. Os dois perseveraram em tal estado até a morte.

Fortaleza diante do tufão revolucionário

A via crucis da Princesa iniciou-se em 1789. Nesse ano, eclodiu a Revolução Francesa que logo começou a perseguir sua família e a trabalhar pela ruína da monarquia estabelecida numa nação cognominada “Filha Primogênita da Igreja” , em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Profundamente devotada aos princípios monárquicos e aristocráticos do Ancien Régime, Maria Clotilde sentiu em sua própria pele, embora à distância, as devastações revolucionárias.

Em agosto de 1789, a Assembléia revolucionária votou a abolição dos direitos feudais. Em 1791 foi a vez do trono cair por terra. Sob a pressão de Robespierre, as prisões começam a en­cher-se de inocentes cujo único “delito” era ser aristocrata ou ter sido acusado de manifestar simpatias pela aristocracia. Começava o Terror, cujos ecos abalaram seriamente a saúde da Venerável.

Em fins de janeiro de 1793, terrível notícia: seu irmão, o Rei Luís XVI, fora guilhotinado! Com admirável resignação, Maria Clotilde se retirou a seus aposentos para chorar sozinha. Era o fim de uma época. Meses mais tarde, chega a fatídica informação de que também sua cunhada, a Rainha Maria Antonieta, tinha sido vitimada pelo ódio satânico da Revolução.

Maria Clotilde mal havia se refeito desses golpes, quando lhe é comunicado que sua irmã Mme. Elizabeth, da qual ela ha­via cuidado como mãe após a morte prematura dos pais, tinha sido condenada pelo Tribunal revolucionário de Paris e guilhotinada pelo simples “crime” de ser princesa de sangue real. O próprio Príncipe do Piemonte deu-lhe a notícia. Deixando cair a cabeça, ela apenas suspirou: “O sacrifício foi feito!”, e caiu desmaiada por terra.

Em 1796, a morte do Rei Vit­torio Amadeo III eleva ao trono do Piemonte o piedoso casal. De natureza belicosa, Vittorio Amadeo III morreu em meio à dor de ver seu Reino se esfarelar por causa da Revolução Francesa, e a conseqüente política napoleônica de estender suas metástases revolucionárias por toda a Europa, abatendo velhos tronos e dinastias.

O novo Rei, Carlo Emanuele IV, torna-se logo alvo de muitas conspirações, milagrosamente sobrevivendo a vários atentados. A isto se somava a constante pressão externa das tropas revolucionárias francesas.

Abdicação e exílio em Nápoles

No dia 8 de dezembro de 1798, cedendo à dupla ameaça interna e externa, Carlo Emanuele IV é forçado a abdicar do trono por pressão direta da França. Após ter colocado o Santo Sudário – que fazia parte da herança da Casa de Savóia – em lugar seguro, a família real teve que fugir para o Sul, em meio aos rigores do inverno.

Em Florença, devido a uma triste coincidência, encontram-se os soberanos sardos com o Papa Pio VI, também ele fugitivo das tropas revolucionárias que tinham invadido Roma e proclamado uma espúria República Romana. Caindo aos pés do Pontífice, o Rei exclamou: “Ah, Santo Padre. Benditas as nossas desgraças que nos conduziram aos pés do Vigário de Cristo!”

Após desventuras sem fim, que muito abalaram a saúde da Rainha, o casal instalou-se em Nápoles, capital do Reino das Duas Sicílias, onde foram recebidos oficialmente pelo Rei Ferdi­nando, já então triunfante sobre as forças revolucionárias que o tinham forçado a refugiar-se temporariamente na Sicília.

Em Nápoles, Maria Clotilde afei­çoou-se especialmente à igreja de Santa Catarina a Chiaia, dos padres da Ordem Terceira de São Francisco, fa­zendo-se ela mesma Terceira Franciscana. O povo napolitano, piedoso e entusiasta, a venerava já em vida como santa. Aos que iam visitá-la, Carlo Emanuele dizia: “Venham, mostrar-lhes-ei meu Anjo”

Morte e glorificação

Porém, chegava a hora do supremo sacrifício. Muito debilitada pelas mortificações, golpeada no mais Íntimo pelas más notícias que lhe chegavam de todas as partes sobre o avanço das idéias revolucionárias, a Rainha Maria Clotilde de Bourbon morreu no dia 7 de março de 1802, com apenas 42 anos de idade. Imediatamente, correu a voz pelas estreitas ruas da cidade: “Morreu uma santa! Ditosa ela que se foi ao Paraíso!” (2).

Enterrada na igreja de Santa Catarina a Chiaia, Maria Clotilde foi logo objeto de devoção popular. O Papa Pio VII a declarou “Venerável” já em 1808. Seu processo de beatificação correu fácil e célere até 1844, ano em que foi bruscamente abandonado por razões políticas, ligadas ao papel que a Casa de Savóia teve na unificação italiana.

Mas o tempo foi deitando sua inexorável poeira sobre os acontecimentos. A causa foi retomada em 1972, e levada a feliz termo dez anos mais tarde pelo infatigável Pe. Gabriele An­dreozzi, Postula­dor Geral das causas dos Terceiros Franciscanos. Nesse ano, a Santa Sé promulgou o decreto sobre a heroicidade das virtudes da Venerável Maria Clotilde de Bourbon, abrindo assim o caminho para sua beatificação.

Apreço atual pela nobreza

Confirmando o clima de renovada veneração pela nobreza que se nota um pouco por toda parte, o fluxo de fiéis à igreja de Santa Catarina não faz senão aumentar. Um Comitê de Honra, do qual fazem parte, entre outros, destacados membros da nobreza napolitana, tomou sobre si a tarefa de difundir o culto à ilustre Rainha.

São realmente muitos os que, nesta belíssima cidade espraiada nas encostas do Vesúvio, desejariam ver elevada à honra dos altares a irmã de Luís XVI, o Rei-mártir da Revolução Francesa. A estes se somam, em todo o mundo, as milhares de almas para quem a Venerável Maria Clotilde de Bourbon-Savóia representa uma excelsa síntese da aristocracia proveniente de seu altÍssimo berço e da virtude cristã, fruto de uma piedade que atingiu os páramos da santidade.

Revista CATOLICISMO – Maio/1995

http://catolicismo.com.br/

__________________________________

NOTAS:

1. Pe. Giovanni Parisi, T.O.R., La Vene­rabile Maria Clotilde, Regina di Sar­degna, Tipografia Samperi, Messina, 1992, p. 5.

2. O Rei Carlos Emanuele IV posteriormente refugiou-se em Roma, onde viveu uma vida de recolhimento e oração no noviciado dos jesuítas, em Santo Andrea al Quirinale. Teve uma morte edificante em 1819.

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Os infiéis, tomados de espanto (devido às vitórias dos francos) nada melhor acharam para fazer do que mandar uma embaixada de Ascalom, de Cesareia e de Tolemaida, a Godofredo, para saudá-lo da parte daquelas cidades. A mensagem estava assim redigida:
“O Emir de Ascalom, o Emir de Cesareia e o Emir de Tolemaida ao Duque Godofredo e a todos os outros, saudação. Nós te suplicamos, mui glorioso duque e muito magnífico, que, por tua vontade, nossos cidadãos possam sair para seus negócios em paz e segurança. Nós te mandamos dez bons cavalos e três boas mulas, e todos os meses te oferecemos, a título de tributo, cinco mil bizantinos”.

O Rei de Jerusalém levou suas armas vitoriosas além do Líbano, até os muros de Damasco; ele fez ao mesmo tempo várias outras incursões na Arábia, de onde voltava sempre com um grande número de escravos, cavalos e camelos.

Sua fama estendia-se cada vez mais: comparavam-no a Judas Macabeu pelo valor; a Sansão pela força de seu braço, e a Salomão pela sabedoria de seus conselhos.

Os francos que haviam ficado com ele abençoavam seu reinado e sob sua dominação paterna eles esqueciam até sua antiga pátria.

Godofredo exalou seu último suspiro a 17 de julho, um ano depois da tomada de Jerusalém. Alguns historiadores deram-lhe o título de rei, outros chamaram-no de duque cristianíssimo.

No reino que tinha fundado, ele era freqüentemente proposto como modelo aos príncipes e aos guerreiros.

Seu nome lembra ainda hoje as virtudes de tempos heróicos e deve viver entre os homens tanto quanto a lembrança das cruzadas.

Foi sepultado ao pé do Calvário.

Fonte: Joseph-François Michaud – “História das Cruzadas”

 

 

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No dia de Natal de 1067, há perto de um milênio, o nobre Roger de Montgomery erigiu um castelo em Arundel, West Sussex, Inglaterra.

Roger foi feito conde de Arundel pelo novo rei inglês Guilherme o Conquistador.

Propriedade familiar a partir do século XI, o castelo é a sede principal da família dos Duques de Norfolk há mais de 400 anos .

E isto está relacionado com a história do catolicismo perseguido na Inglaterra pelo protestantismo.

Arundel: vista aérea do castelo-fortaleza e palácio.
Arundel: vista aérea do castelo-fortaleza e palácio.

A fortificação inicial de Arundel vigiava a entrada do rio Arun que lhe empresta o nome.

Era uma posição defensiva diante de uma possível invasão proveniente da França.

A estrutura original tinha a rudeza das construções militares e provavelmente foi de madeira.

Após pertencer a Roger de Montgomery, o castelo passou de família em família, até que em 1138 William d’Aubigny II começou a erguer o castelo de pedra.

Em 1139, a imperatriz Matilde se alojou no castelo e os apartamentos construídos para ela em pedra perduram até hoje.

A última herdeira do castelo, Mary FitzAlan, irmã do 19º duque de Arundel, casou com Thomas Howard, 4º Duque de Norfolk.

Desde então, os problemas com a coroa inglesa foram contínuos.

Isso porque os duques de Norfolk se recusaram até hoje a aderir ao protestantismo, sendo por isso um dos mais eminentes representantes do Recusacionismo.

Em 1572 a Coroa executou o duque de Norfolk e confiscou Arundel, pelo ‘crime’ de conspiração em favor da Rainha da Escócia e legítima herdeira da Coroa inglesa, Mary Stuart, que era católica.

A acusação foi maldosa e Arundel voltou para a família dos duques de Norfolk.

Arundel: capela dos condes da dinastia da família FitzAlan.
Arundel: capela dos condes da dinastia da família FitzAlan.

Em 1846, a famosa rainha Vitória e seu marido, o príncipe consorte Alberto, visitaram Arundel.

Para essa ocasião, Henry Charles Howard, 13º Duque de Norfolk, remodelou o castelo.

A rainha Vitória chegou no dia 1º de dezembro de 1846, tendo ficado admirada pelo requinte dos apartamentos e a beleza dos jardins.

Quase todos os locais do castelo que a rainha conheceu foram cuidadosamente restaurados e conservados.

Os quartos usados pela soberana hoje fazem parte dos apartamentos da família dos duques de Norfolk.

Os elogios da rainha Vitória animaram o 14º Duque, que reiniciou a reforma do castelo, a qual foi completada pelo 15º Duque de Norfolk no ano 1900.

Arundel: grande galeria do castelo.
Arundel: grande galeria do castelo.

Os Duques de Norfolk, representados atualmente pelo 18º Duque, Edward Fitzalan-Howard, ostentam o título de “Earl Marshal of England”, ou Marechal Hereditário da Inglaterra.

O Ducado de Norfolk é um dos últimos títulos britânicos que conserva o direito hereditário de fazer parte da Câmara dos Lordes, e o seu detentor é designado como “Primeiro dos Duques Pares da Inglaterra”.

Por isso, podemos vê-lo recebendo e acompanhando a rainha sempre que ela vai à Câmara dos Lordes, como também quando ela pronuncia em grande pompa o discurso anual de abertura das sessões.

Enquanto conde de Arundel, o Duque de Norfolk é o “Primeiro Conde” do reino, pois chefia uma das primeiras famílias aristocráticas da Inglaterra.

Além do mais, todos os antigos e atuais duques descendem do rei Santo Eduardo I ( 1004-1066) o Confessor, da Inglaterra.

Lord Henry Howard, oitavo duque de Norfolk
Lord Henry Howard, oitavo duque de Norfolk

A família é tradicionalmente católica e foi o principal representante do Recusacionismo inglês, isto é, dos católicos, e especialmente dos nobres, que recusaram a Revolução Protestante, padecendo até a morte por causa disso.

Toda esta história modelou o castelo, conferindo-lhe um acúmulo de força, elegância e distinção, com um ar quase principesco.

Em primeiro lugar, destacam-se as torres medievais, sem janelas, com apenas algumas seteiras – aberturas no muro para se poder lançar flechas – coroadas de ameias.

Essas torres delimitam o perímetro do castelo e são completadas por muros também fechados que circundam todas as instalações. A preocupação militar é dominante.

Bem protegidas pelas torres, encontramos as partes construídas ou reformadas nos séculos posteriores.

A preocupação dominante dos pavilhões foi de abrir grandes janelas góticas para dar entrada à luz nas partes habitadas.

Arundel: re-encenações da vida medieval.
Arundel: re-encenações da vida medieval.

O pátio interior, bem ajardinado, reflete a mistura de elementos que dominam no exterior.

A capela do castelo é aristocrática e medieval, está impregnada de imponderáveis sobrenaturais.

Nela estão enterrados os antepassados dos nobres proprietários.

As estalas para monges ou cônegos ocupam boa parte dela.

Escudos e bandeiras com as armas dos duques de Norfolk estão afixadas nas paredes.

O passado histórico do castelo inspira reencenações de momentos da vida medieval inglesa, como justas e batalhas.

Arundel é como um relicário em ponto pequeno que dá uma certa ideia de como teria sido a Inglaterra se não tivesse ficado protestante.

 

http://castelosmedievais.blogspot.com.br/2014/11/arundel-castelo-dos-duques-

 

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Sacre_de_Charlemagne

Maximiliano II começou em 1564 a série de Imperadores eleitos de Frankfurt.

A partir desse momento, a sala principal do magnífico edifício central de Frankfurt, o Rómer, serviu para a proclamação dos Imperadores, e denominou-se esta sala Kaisersaal, Sala do Imperador.

E’ um recinto oblongo, vasto, discretamente iluminado em sua extremidade oriental por cinco estreitas janelas desiguais que se elevam no sentido do muro externo do Romer.

Na Kaisersaal há móveis preciosos, entre os quais a mesa de couro dos Príncipes Eleitores.

Em suas quatro altas paredes abundam afrescos esmaecidos pelo tempo. E sob uma abóbada de madeira com nervuras de um dourado envelhecido, encontram-se, em prestigiosa penumbra, os quarenta e cinco retratos dos continuadores do Império Carolíngio, figurados em bustos de bronze, cujos pedestais mostram as duas datas que abrem e fecham cada reinado, alguns ornados com lauréis, como os Césares romanos, outros cingidos com o diadema germânico.

Ali entreolham-se silenciosamente, cada um dentro de seu nicho ogival, os três Conrados, os sete Henriques, os quatro Ottons, o único Lotário, os dois Albertos, o único Luiz, os quatro Carlos que sucederam a Carlos Magno, o único Wenceslau, o único Roberto, o único Segismundo, os dois Maximilianos, os três Fernandos, o único Matias, os dois Leopoldos, os dois Josés, os dois Franciscos, os quais durante nove séculos, de 911 a 1806 marcaram a História do mundo, com a espada de São Pedro numa mão e o globo de Carlos Magno na outra.

Coroa imperialDepois da cerimônia da coroação, que tinha lugar na igreja-catedral de São Bartolomeu, mais conhecida pelo simples nome do Dom, o novo Eleito, acompanhado dos Príncipes Eleitores, entrava no Paço Municipal de Frankfurt, o Romer, e subia à grande sala para cumprir e ver cumprir as cerimônias costumeiras em tal ocasião.

Os Eleitores de Tréveris, de Mogúncia e de Colônia situavam-se na primeira janela. Eram os três Eleitores eclesiásticos, os três Arcebispos destas cidades.

O Imperador, em trajes solenes, o manto imperial sobre os ombros, Coroa na cabeça, cetro e globo às mãos, tomava lugar na segunda janela.

A terceira era ocupada por um baldaquim, debaixo do qual ficavam o Arcebispo de Frankfurt e o Clero.

A quarta era destinada aos Embaixadores da Boêmia e do Palatinado.

A quinta, aos Eleitores da Saxonia, de Brandenburg e Brünswick.

Túnica imperial, usada na coroaçãoNo momento em que aparecia esta brilhante assembléia, a praça toda irrompia em brados e aclamações.

As comemorações na praça merecem uma descrição particular.

O centro dela era ocupado por um boi que se assava inteiro no meio de uma cozinha de tábuas.

Num dos lados havia uma fonte encimada por uma águia bicéfala. Por um dos bicos, jorrava vinho tinto; pelo outro, vinho branco. O segundo lado era ocupado por um monte de aveia que podia elevar-se à altura de três pés.

Quando todas as janelas e balcões estavam ornados, quando o Imperador, o Arcebispo e os Eleitores estavam sentados em seus respectivos lugares, o som de um trompete fazia-se ouvir; o arquiferreiro, o arquimarechal ‒ encarregado das cavalariças do Império ‒ saia a cavalo, enfiava sua montaria até os arreios na aveia, enchia uma medida de prata, subia à kaisersaal e a apresentava ao Imperador. Isto queria dizer que as cavalariças do Império estavam bem providas.

Então, o trompete fazia-se ouvir uma segunda vez, o arquicopeiro saia a cavalo e ia encher duas largas taças de prata na fonte, uma com vinho tinto, outra com vinho branco, e levava-as ao Imperador. Isto simbolizava que as adegas do Sacro Império estavam abastecidas.

Imperador coroadoDepois o trompete fazia-se ouvir uma terceira vez, e o arquitrinchador saia a cavalo, ia cortar um pedaço de boi e o apresentava ao Imperador. Isto significava que as cozinhas estavam florescentes.

Enfim, o trompete fazia-se ouvir uma quarta vez, o arquitesoureiro saia a cavalo tendo na mão um saco com moedas de ouro e prata e jogava-as ao povo. Isto queria dizer que o tesouro nacional estava cheio.

O retorno do grande tesoureiro era o sinal de um combate que se travava entre o povo para ter a aveia, o vinho e o boi.

Em geral, deixava-se os açougueiros e os adegueiros assediar e tomar a cozinha; a cabeça do boi era o troféu mais honorífico da luta.

A vitória era atribuída ao partido que possuísse a cabeça.

E ainda hoje os adegueiros mostram nas adegas do palácio, e os açougueiros, no seu mercado, as cabeças que seus antepassados conquistaram nas memoráveis jornadas das coroações imperiais.

(Fonte : Alexandre Dumas, « La Terreur Prussiene », Paris, Calmann Levy, Editeurs, 1887, t.I, pp.261 s.)

 

http://gloriadaidademedia.blogspot.com/2008/11/festa-de-coroao-do-imperador-romano.html

 

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Gaston_d’Orléans,_comte_d’Eu

 

Ata da Sessão Especial realizada pela Câmara Municipal de Rio Negro – Paraná

“Sessão especial do dia dez de dezembro de 1884. Presidência do Senhor Miguel José Grein. Aos dez dias do mês de dezembro do ano de mil oitocentos e oitenta e quatro, nesta Villa do Rio Negro, no Paço da Câmara Municipal, às nove horas da manhã, compareceram os Senhores Miguel José Grein, Presidente, Saturnino Olintho da Silva, Fabrício Corrêa de Mello e Miguel Barbosa de Almeida; estando número legal o Senhor Presidente declacou aberta a sessão especial para anunciar a honrosa visita que se dignou fazer Sua Alteza Imperial o Senhor Conde d’Eu a esta Villa. Tendo sido anunciada com antecedência, estava a rua 15 de novembro por onde tinha de entrar Sua Alteza, completamente arborizada, contendo tres arcos, um na entrada no qual se lia em letras garrafaes a seguinte inscripção: VIVA SUA ALTEZA IMPERIAL. Outra próxima à casa do Snr. Martin Mader contendo a seguinte: WILLKOMEN e igual inscripção tinha no arco da margem esquerda; as ruas achavam-se juncadas de flores. Ao meio dia, o povo da Vila derigio-se ao lugar denominado “Passa Três” para encontrar Sua Alteza, o que realizou-se  as três horas da tarde; vindo de lá Sua Alteza com seo acompanhamento até a entrada da rua, onde dignou-se appear e entrar no Paço da Camara, depois de ter sido recebido e felicitado pelos vereadores acima mencionados ao som do hymno nacional executado pela banda de música “Rio Negrense”, e de grande quantidade de foguetes e girandolas que subiram ao ar; percorrendo todo o edifício e derigio palavras animadoras, não só aos vereadores com relação ao município, como aos cidadãos e estrangeiros que a elle se aproximavam, e prometteo dar alguma cousa a esta Camara. Aceitou e levou a felicitação escripta que é do theor seguinte: Augusto e Digníssimo Senhor Conde d’Eu. A Camara Municipal desta Villa, ao saber da grata quão auspiciosa notícia da estada de Vossa Alteza Imperial no territorio paranaense, se dignando visitar este Municipio, apressa-se em vir render a Vossa Alteza Imperial preito de homenagemm respeito, amor e gratidão. E aproveita também a ocasião para offerecer a Vossa Alteza Imperial todo o auxílio de que possa carecer. Paço da Camara Municipal da Villa do Rio Negro, 10 de Dezembro de 1884. Assignadas: Miguel José Grein, Saturnino Olintho da Silva, Relator, Fabricio Corrêa de Mello, comissionados pela Camara. Em seguida dirigio-se em direcção a casa da Fazenda do Senhor Antonio Ricardo dos Santos Filho, demorando-se em cada um dos arcos, onde recebeo enthusiasticas manifestações do povo que tinha de hospedar-se, e pernoitou, seguindo pela manhã seguinte com destino a Colonia de São Bento deste Municipio, tendo ainda numeroso acompanhamento de povo até o rio denominado “Negrinho” onde almoçou. A bondade e lhanesa de Sua Alteza, captivou o povo Rio Negrense, que saudoso se despedio de Sua Alteza, não só por ser elle da familia Imperante como por desempenhar o alto cargo de Marechal do Exercito Brasileiro. Nada mais havendo a tratar, o Senhor Presidente encerrou a sessão. Eu, Thomaz Becker, Secretario da Camara a escrevi. Miguel José Grein, Saturnino Olintho da Silva, Miguel Barbosa de Almeida, Fabricio Corrêa de Mello”

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Carta da Princesa Isabel ao Imperador seu pai, por ocasião da viagem ao Rio Grande do Sul, em companhia do Conde d’Eu e dos Príncípes Dom Pedro e Dom Luís.

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6 de janeiro de 1885

 

Às 7 fomos ao Mercado. Muito bonito e grande, cheio de frutas e legumes. Muitas negras bahianas se puseram a dançar à roda de nós. O Mercado foi construído por 240 contos, e rende hoje 40 contos anuais à Câmara Municipal. Na volta paramos numa bonita loja de objetos de prata feitos no país. Os meninos ficaram muito contentes com os rebenques e facas de ponta que lhes dei.
Missa na Matriz às 9.
Visita ao meio dia à Casa de Misericórdia. Muito grande, bem limpa a arranjada. Agora tem um pouco mais de 100 doentes, mas pode conter mais de 200. Há pouco tempo o Hospital Militar aí estava e com a mudança que fizeram deste para novo prédio, parece que em nada ganhou e perdeu muito mesmo em salubridade.
Visita ao Seminário Episcopal. Grande e belo edifício, com grandes escadarias à moda inglesa e um lindo pátio também de arquitetura inglesa, com arbustos e flores e um chafariz no meio. O Seminário está em férias. Já tem 300 alunos, a maior parte externos que só pagam pequena matrícula, e breve com os trabalhos que se estão fazendo poderá admitir mais. Há muitos pedidos de entrada. Aqui não há curso teológico, mas em São Leopoldo. No Seminário mora o bom Bispo, que tem estado bem doente. Disseram-me que sofre de um cancro no estômago. Achei-o bem fraco. As crismas que fez ultimamente em Bagé e Pelotas cansaram-no muito e o fizeram adoecer. Disse-me êle que o espírito religioso na Provìncia, em todos os casos não peorado. Ao Seminário fomos com Pedro e Luiz (*)
Com eles, igualmente visitamos a casa de seu compadre Dreher, alemão estabelecido aqui, há tantos anos, que seu primeiro filho nasceu quando meus Pais aqui estiveram e foi seu afilhado. O pobre moço morreu em Curupaiti. Parecem muito boa gente e gosam dum conceito. Aí vimos uma coleção de pedras da Provincia, ágatas e outras, lindíssimas de fazerem a admiração do próprio primo Pedro! Deram-nos várias, muitíssimo bonitas.
Visita à Capelinha do Espírito Santo, aqui perto, muito bonitinha.
Depois do jantar, na Sociedade de Ginástica Alemã, assistimos a exercícios muito bem feitos. Na Sociedade de Tiro, também alemã, foram igualmente muito cordiais para conosco.
À noite, manifestação nacional, à qual se reuniu uma italiana. Fogos de bengala, lanternas d ecores, discursos e muitíssima gente e vivas. Muitíssimo entusiasmo, cordialidade e simpatia. Gastão respondeu em português primeiro, depois em italiano. O feito da procissão foi muitíssimo bonito.
Meus bons Pais não têm sido esquecidos em todas essas manifestações. Um vivinha à república que surgiu à noite não causou senão geral hilaridade.
7 de janeiro de 1885
É preciso que feche minha carta, todos muito bons.
Aceitem ambos o abraço saudosíssimo de ambos e deitem sua bênção em nós e nos caturras.

Sua filhinha que tanto os ama.

Isabel Condessa d’Eu

(*) Era bispo da diocese Dom Sebastião Dias Laranjeira, que tomou posse do bispado por procuração a 6 de fevereiro de 1861, assumindo a 29 de julho. Faleceu a 13 de agosto de 1888, aos 60 anos de idade.

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A carruagem

 

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Em relação aos veículos modernos: progresso ou retrocesso?

Carruagem ou trono ambulante? Evidentemente, a foto é de uma carruagem, mas lembra um trono.

Tudo nela foi estudado em função do passageiro. Em primeiro lugar, considere-se a parte prática: as rodas e as molas para que, nas estradas daquele tempo, a carruagem se movimentasse sem solavancos.

Entretanto, além desse aspecto prático, houve a intenção de fazer bem ao passageiro e orná-la com formas elegantes. Notamos elegância, espírito prático e conforto!

Observem também os belos cristais luminosos para ornar as janelas. Estas, quando abertas, enchem de ar fresco este trono ambulante.

Pintada com lindos ornatos, percebemos pelos desenhos e pelas cores uma realidade toda de fantasia, que está magnificamente representada.

A carruagem é um verdadeiro escrínio, na qual viaja essa jóia da natureza que é a criatura humana. O homem é o rei do universo visível. Dir-se-ia que foi feita para realçar a imponência do cavalheiro e a frágil distinção da dama.

Imaginemos à frente quatro cavalos brancos e emplumados; um cocheiro sentado num banquinho; em pé dois lacaios com chapéus de três bicos e plumas; um corneteiro cavalgando junto ao cocheiro anuncia que aí viaja uma pessoa de alta estirpe. Tudo é belo, tudo presta homenagem ao homem, como o ser superior, mas submisso a Deus, infinitamente superior.

* * *

Agora, imaginemos outra cena: a carruagem pára; coloca-se junto à porta uma escadinha atapetada; uma senhora vai entrar; o trinco dourado da portinhola é aberto por palafreneiros; todos tiram os chapéus; seu esposo, ou irmão ou o pai, lhe dá a mão para subir; ela sobe ligeira e elegante.

Mas, por fim — para se apalpar a diferença com os carros modernos —, imaginemos que alguém perguntasse: “Senhora, que tal trocar sua carruagem por um veículo do século XX?”.

Que sensação teria ela? Estaria sendo proposto um progresso ou um retrocesso? O mundo de hoje, cada vez mais propenso a rebaixar o homem, considera a carruagem um retrocesso e o veículo moderno um progresso!

____________________________________________________________________
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 9 de agosto de 1986. Sem revisão do autor.

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Corea del Sur, catolicismo

Na Coreia do Sul, entre 1960 e 2010, a população passou de 23 para 48 milhões. Os católicos cresceram perto de 3% ao ano, perfazem 11% (5,5 milhões) da população, e podem chegar a 20% em 2020, noticiou o site www.chiesa.

Nesse período, os sacerdotes coreanos aumentaram de 250 para 5.000. Cada paróquia realiza anualmente entre 200 e 400 batismos de pessoas convertidas do budismo, a maioria nas cidades.

Em 2011 foram batizados 134.562 catecúmenos, incluindo mais de 100.000 adultos que repudiaram o budismo, acrescentou Catholic Culture.

A cada ano são ordenados entre 130 e 150 novos sacerdotes. Mais de dois terços dos religiosos têm menos de 40 anos.

“Nos últimos dez anos a Igreja Católica passou de três a cinco milhões de fiéis; em Seul (a capital) somos 14%”, disse o Cardeal Nicholas Cheong Jin-suk, Arcebispo de Seul.

A Igreja nasceu na Coréia a partir de alguns filósofos e diplomáticos da nobreza que se converteram em Pequim no século XVIII.

De retorno a sua pátria os aristocratas propagaram a Fé sem o auxílio de missionários.

Estes só chegaram em 1836, provenientes da França, e encontraram o terreno extraordinariamente bem preparado para a pregação do Evangelho.

Houve ferozes perseguições e muitos martírios, mas o exemplo dos nobres foi empolgante. Muitos deles foram elevados aos altares.

Ainda hoje as elites sociais coreanas têm um papel decisivo nas conversões ao catolicismo.

As associações e movimentos paroquiais imprimem ao Catolicismo um tom de distinção e conservadorismo que seria repudiado pelo progressismo do Ocidente.

O exemplo das elites tem grande efeito no povinho. Na paróquia operária de Kuro 3-Dong, na periferia de Seul, desde 1986 os batismos de adultos convertidos superam a cifra de 600 por ano.

 

(http://lumenrationis.blogspot.com/2012/06/impulso-da-nobreza-conversao-rende.html)

 

 

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519px-Benoit_XIV Papa Bento XIV

 

Carta do Papa Bento XIV de louvor à Ordem de Malta, por sua heroica defesa da Cristandade ameaçada pelas forças muçulmanas

“A Ordem Hierosolimitana tem um lugar de escol entre as Ordens militares que, com satisfação Nossa, sustentam a Religião Católica e a defendem corajosamente contra seus inimigos.
Para glória de Cristo, esta Ordem move o mais duro combate contra os muçulmanos, os piores entre os celerados. Com todas as suas forças, ela protege sem descanso as fronteiras da Cristandade contra as incursões deles. Para nela ser admitido como soldado, é preciso fazer prova de nobreza; mas também, a fim de poder combater mais facilmente e ser mais livre e mais apto para os trabalhos que se preveem, é necessário renunciar às facilidades da vida doméstica e fazer voto de castidade. Eis por que Nós, elevado pela graça de Deus à Sé suprema de São Pedro, desejando dar um testemunho da benevolência pontifícia a esta Ordem ilustre, que tanto mereceu já da Igreja e da Santa Sé, decidimos conceder-lhe importantes privilégios e socorrê-la em suas necessidades atuais”.

___________

(Da Carta Quoniam Inter de Bento XIV, de 17 de dezembro de 1743, dirigida à Ordem Militar Hospitalar de São Joao de Jerusalém, conhecida também como Ordem de Malta).

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Carta do Papa Bento XIV de louvor à Ordem de Malta, por sua heroica defesa da Cristandade ameaçada pelas forças muçulmanas

“A Ordem Hierosolimitana tem um lugar de escol entre as Ordens militares que, com satisfação Nossa, sustentam a Religião Católica e a defendem corajosamente contra seus inimigos.
Para glória de Cristo, esta Ordem move o mais duro combate contra os muçulmanos, os piores entre os celerados. Com todas as suas forças, ela protege sem descanso as fronteiras da Cristandade contra as incursões deles. Para nela ser admitido como soldado, é preciso fazer prova de nobreza; mas também, a fim de poder combater mais facilmente e ser mais livre e mais apto para os trabalhos que se preveem, é necessário renunciar às facilidades da vida doméstica e fazer voto de castidade. Eis por que Nós, elevado pela graça de Deus à Sé suprema de São Pedro, desejando dar um testemunho da benevolência pontifícia a esta Ordem ilustre, que tanto mereceu já da Igreja e da Santa Sé, decidimos conceder-lhe importantes privilégios e socorrê-la em suas necessidades atuais”.

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(Da Carta Quoniam Inter de Bento XIV, de 17 de dezembro de 1743, dirigida à Ordem Militar Hospitalar de São Joao de Jerusalém, conhecida também como Ordem de Malta).

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