Diversidade harmónica na prática das virtudes evangélicas: no aniquilamento de si mesmo no estado religioso – no meio das grandezas e esplendores da sociedade temporal

23/03/2012

 

Santo Henrique santificou-se exercendo o cargo de Imperador do Sacro Império Romano Alemão. (Foto: Wolfgang Sauber)

Cabe mencionar aqui um traço de alma que se distingue acentuadamente em numerosas pessoas da nobreza.
Muitos Santos, nascidos nobres, renunciaram inteiramente à sua condição social para, no aniquilamento terreno do estado religioso, praticarem a perfeição da virtude. E quão esplêndidos foram os exemplos que assim deram à Cristandade e ao mundo!
Mas outros Santos, também nascidos nobres, conservaram-se nas grandezas desta terra, realçando assim, aos olhos das outras categorias sociais, com o prestígio inerente à sua condição sócio-política, tudo quanto há de admirável nas virtudes cristãs; e dando um bom exemplo moral a toda a colectividade à testa da qual se achavam. E isto com grande vantagem, não só para a salvação das almas, como para a própria sociedade temporal. Neste sentido nada é mais eficaz para o Estado e a sociedade do que ter nos seus mais elevados escalões pessoas nimbadas da alta e sublime respeitabilidade que se irradia da personalidade dos Santos da Igreja Católica.
Além disso, tais Santos – tão dignos de reverência e admiração pela sua elevada condição hierárquica – tornavam-se particularmente amáveis aos olhos das multidões devido à prática constante e exemplar da caridade cristã.
Realmente são inúmeros os nobres beatificados ou canonizados que – sem renunciar às honras terrenas a que fazia jus a sua origem nobiliárquica – se destacaram pelo seu particular amor aos desvalidos: ou seja, pela sua marcada opção preferencial pelos pobres.

Santa Hildegarda de Bingen, de familia nobre, fez-se religiosa beneditina.

Neste mesmo serviço solícito dos pobres, também refulgiram com frequência as pessoas da nobreza que preferiram os admiráveis despojamentos da vida religiosa para se fazerem pobres com os pobres, de maneira a lhes tornarem menos pesadas as cruzes da vida terrena e lhes prepararem as almas para o Céu.
Alongaria demais este trabalho que fosse aqui feita menção a tão numerosos nobres de um e outro sexo, tanto daqueles que praticaram as virtudes evangélicas no meio das grandezas e esplendores da sociedade temporal, como daqueles que as praticaram na renúncia à vida secular, por amor de Deus e do próximo.

(PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA – Nobreza e elites tradicionais análogas.)

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