Gaston_d’Orléans,_comte_d’Eu

 

Ata da Sessão Especial realizada pela Câmara Municipal de Rio Negro – Paraná

“Sessão especial do dia dez de dezembro de 1884. Presidência do Senhor Miguel José Grein. Aos dez dias do mês de dezembro do ano de mil oitocentos e oitenta e quatro, nesta Villa do Rio Negro, no Paço da Câmara Municipal, às nove horas da manhã, compareceram os Senhores Miguel José Grein, Presidente, Saturnino Olintho da Silva, Fabrício Corrêa de Mello e Miguel Barbosa de Almeida; estando número legal o Senhor Presidente declacou aberta a sessão especial para anunciar a honrosa visita que se dignou fazer Sua Alteza Imperial o Senhor Conde d’Eu a esta Villa. Tendo sido anunciada com antecedência, estava a rua 15 de novembro por onde tinha de entrar Sua Alteza, completamente arborizada, contendo tres arcos, um na entrada no qual se lia em letras garrafaes a seguinte inscripção: VIVA SUA ALTEZA IMPERIAL. Outra próxima à casa do Snr. Martin Mader contendo a seguinte: WILLKOMEN e igual inscripção tinha no arco da margem esquerda; as ruas achavam-se juncadas de flores. Ao meio dia, o povo da Vila derigio-se ao lugar denominado “Passa Três” para encontrar Sua Alteza, o que realizou-se  as três horas da tarde; vindo de lá Sua Alteza com seo acompanhamento até a entrada da rua, onde dignou-se appear e entrar no Paço da Camara, depois de ter sido recebido e felicitado pelos vereadores acima mencionados ao som do hymno nacional executado pela banda de música “Rio Negrense”, e de grande quantidade de foguetes e girandolas que subiram ao ar; percorrendo todo o edifício e derigio palavras animadoras, não só aos vereadores com relação ao município, como aos cidadãos e estrangeiros que a elle se aproximavam, e prometteo dar alguma cousa a esta Camara. Aceitou e levou a felicitação escripta que é do theor seguinte: Augusto e Digníssimo Senhor Conde d’Eu. A Camara Municipal desta Villa, ao saber da grata quão auspiciosa notícia da estada de Vossa Alteza Imperial no territorio paranaense, se dignando visitar este Municipio, apressa-se em vir render a Vossa Alteza Imperial preito de homenagemm respeito, amor e gratidão. E aproveita também a ocasião para offerecer a Vossa Alteza Imperial todo o auxílio de que possa carecer. Paço da Camara Municipal da Villa do Rio Negro, 10 de Dezembro de 1884. Assignadas: Miguel José Grein, Saturnino Olintho da Silva, Relator, Fabricio Corrêa de Mello, comissionados pela Camara. Em seguida dirigio-se em direcção a casa da Fazenda do Senhor Antonio Ricardo dos Santos Filho, demorando-se em cada um dos arcos, onde recebeo enthusiasticas manifestações do povo que tinha de hospedar-se, e pernoitou, seguindo pela manhã seguinte com destino a Colonia de São Bento deste Municipio, tendo ainda numeroso acompanhamento de povo até o rio denominado “Negrinho” onde almoçou. A bondade e lhanesa de Sua Alteza, captivou o povo Rio Negrense, que saudoso se despedio de Sua Alteza, não só por ser elle da familia Imperante como por desempenhar o alto cargo de Marechal do Exercito Brasileiro. Nada mais havendo a tratar, o Senhor Presidente encerrou a sessão. Eu, Thomaz Becker, Secretario da Camara a escrevi. Miguel José Grein, Saturnino Olintho da Silva, Miguel Barbosa de Almeida, Fabricio Corrêa de Mello”

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Carta da Princesa Isabel ao Imperador seu pai, por ocasião da viagem ao Rio Grande do Sul, em companhia do Conde d’Eu e dos Príncípes Dom Pedro e Dom Luís.

Dona_Isabel_(3)

 

6 de janeiro de 1885

 

Às 7 fomos ao Mercado. Muito bonito e grande, cheio de frutas e legumes. Muitas negras bahianas se puseram a dançar à roda de nós. O Mercado foi construído por 240 contos, e rende hoje 40 contos anuais à Câmara Municipal. Na volta paramos numa bonita loja de objetos de prata feitos no país. Os meninos ficaram muito contentes com os rebenques e facas de ponta que lhes dei.
Missa na Matriz às 9.
Visita ao meio dia à Casa de Misericórdia. Muito grande, bem limpa a arranjada. Agora tem um pouco mais de 100 doentes, mas pode conter mais de 200. Há pouco tempo o Hospital Militar aí estava e com a mudança que fizeram deste para novo prédio, parece que em nada ganhou e perdeu muito mesmo em salubridade.
Visita ao Seminário Episcopal. Grande e belo edifício, com grandes escadarias à moda inglesa e um lindo pátio também de arquitetura inglesa, com arbustos e flores e um chafariz no meio. O Seminário está em férias. Já tem 300 alunos, a maior parte externos que só pagam pequena matrícula, e breve com os trabalhos que se estão fazendo poderá admitir mais. Há muitos pedidos de entrada. Aqui não há curso teológico, mas em São Leopoldo. No Seminário mora o bom Bispo, que tem estado bem doente. Disseram-me que sofre de um cancro no estômago. Achei-o bem fraco. As crismas que fez ultimamente em Bagé e Pelotas cansaram-no muito e o fizeram adoecer. Disse-me êle que o espírito religioso na Provìncia, em todos os casos não peorado. Ao Seminário fomos com Pedro e Luiz (*)
Com eles, igualmente visitamos a casa de seu compadre Dreher, alemão estabelecido aqui, há tantos anos, que seu primeiro filho nasceu quando meus Pais aqui estiveram e foi seu afilhado. O pobre moço morreu em Curupaiti. Parecem muito boa gente e gosam dum conceito. Aí vimos uma coleção de pedras da Provincia, ágatas e outras, lindíssimas de fazerem a admiração do próprio primo Pedro! Deram-nos várias, muitíssimo bonitas.
Visita à Capelinha do Espírito Santo, aqui perto, muito bonitinha.
Depois do jantar, na Sociedade de Ginástica Alemã, assistimos a exercícios muito bem feitos. Na Sociedade de Tiro, também alemã, foram igualmente muito cordiais para conosco.
À noite, manifestação nacional, à qual se reuniu uma italiana. Fogos de bengala, lanternas d ecores, discursos e muitíssima gente e vivas. Muitíssimo entusiasmo, cordialidade e simpatia. Gastão respondeu em português primeiro, depois em italiano. O feito da procissão foi muitíssimo bonito.
Meus bons Pais não têm sido esquecidos em todas essas manifestações. Um vivinha à república que surgiu à noite não causou senão geral hilaridade.
7 de janeiro de 1885
É preciso que feche minha carta, todos muito bons.
Aceitem ambos o abraço saudosíssimo de ambos e deitem sua bênção em nós e nos caturras.

Sua filhinha que tanto os ama.

Isabel Condessa d’Eu

(*) Era bispo da diocese Dom Sebastião Dias Laranjeira, que tomou posse do bispado por procuração a 6 de fevereiro de 1861, assumindo a 29 de julho. Faleceu a 13 de agosto de 1888, aos 60 anos de idade.

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A carruagem

19/10/2014

 

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Em relação aos veículos modernos: progresso ou retrocesso?

Carruagem ou trono ambulante? Evidentemente, a foto é de uma carruagem, mas lembra um trono.

Tudo nela foi estudado em função do passageiro. Em primeiro lugar, considere-se a parte prática: as rodas e as molas para que, nas estradas daquele tempo, a carruagem se movimentasse sem solavancos.

Entretanto, além desse aspecto prático, houve a intenção de fazer bem ao passageiro e orná-la com formas elegantes. Notamos elegância, espírito prático e conforto!

Observem também os belos cristais luminosos para ornar as janelas. Estas, quando abertas, enchem de ar fresco este trono ambulante.

Pintada com lindos ornatos, percebemos pelos desenhos e pelas cores uma realidade toda de fantasia, que está magnificamente representada.

A carruagem é um verdadeiro escrínio, na qual viaja essa jóia da natureza que é a criatura humana. O homem é o rei do universo visível. Dir-se-ia que foi feita para realçar a imponência do cavalheiro e a frágil distinção da dama.

Imaginemos à frente quatro cavalos brancos e emplumados; um cocheiro sentado num banquinho; em pé dois lacaios com chapéus de três bicos e plumas; um corneteiro cavalgando junto ao cocheiro anuncia que aí viaja uma pessoa de alta estirpe. Tudo é belo, tudo presta homenagem ao homem, como o ser superior, mas submisso a Deus, infinitamente superior.

* * *

Agora, imaginemos outra cena: a carruagem pára; coloca-se junto à porta uma escadinha atapetada; uma senhora vai entrar; o trinco dourado da portinhola é aberto por palafreneiros; todos tiram os chapéus; seu esposo, ou irmão ou o pai, lhe dá a mão para subir; ela sobe ligeira e elegante.

Mas, por fim — para se apalpar a diferença com os carros modernos —, imaginemos que alguém perguntasse: “Senhora, que tal trocar sua carruagem por um veículo do século XX?”.

Que sensação teria ela? Estaria sendo proposto um progresso ou um retrocesso? O mundo de hoje, cada vez mais propenso a rebaixar o homem, considera a carruagem um retrocesso e o veículo moderno um progresso!

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 9 de agosto de 1986. Sem revisão do autor.

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Impulso da nobreza à conversão, rende copiosos frutos na Coréia do Sul

October 1, 2014

Na Coreia do Sul, entre 1960 e 2010, a população passou de 23 para 48 milhões. Os católicos cresceram perto de 3% ao ano, perfazem 11% (5,5 milhões) da população, e podem chegar a 20% em 2020, noticiou o site www.chiesa. Nesse período, os sacerdotes coreanos aumentaram de 250 para 5.000. Cada paróquia realiza anualmente […]

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Compatibilidade entre o ideal militar e o ideal cristão

August 24, 2014

 Papa Bento XIV   Carta do Papa Bento XIV de louvor à Ordem de Malta, por sua heroica defesa da Cristandade ameaçada pelas forças muçulmanas “A Ordem Hierosolimitana tem um lugar de escol entre as Ordens militares que, com satisfação Nossa, sustentam a Religião Católica e a defendem corajosamente contra seus inimigos. Para glória de […]

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August 24, 2014

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O nobre francês – Coragem, gentileza, distinção e beleza de gestos

August 5, 2014

                                                                                 Rei Francisco I e Imperador Carlos V         O nobre francês rivaliza em coragem com os mais corajosos dentre os fidalgos europeus. Sem embargo conserva uma gentileza, uma distinção, uma beleza de gestos que indicam o requinte de sua educação e da civilização que o formou.            Forte e ao mesmo tempo requintadamente […]

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O relacionamento humano medieval

July 22, 2014

Na sociedade medieval os relacionamentos humanos não eram tanto baseados nos contratos de serviço, mas nos contratos pessoais em que um homem se dá inteiro e recebe uma proteção total. Hoje, os contratos entre patrão e empregado, ou entre patrão e patrão, empregado e empregado, são contratos trabalhistas, contratos de compra, venda, empréstimo, etc., e […]

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O culto do número e o mecanicismo revolucionário

June 29, 2014

Vaso de porcelana de Sèvres – Exemplo de qualidade nascida da Cultura (foto: P. poschadel) Número é uma palavra que supõe a noção de quantidade. Bem distinta desta é a noção de qualidade. O culto do número é o estabelecimento de uma ordem de coisas na qual a quantidade seja critério supremo. Evidentemente, tal ordem […]

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Conselheiro João Alfredo

June 11, 2014

  Dr. João Alfredo Corrêa de Oliveira (1835-1919), tio-avô de Plinio e presidente do Conselho de Ministros do Império, autor da célebre lei Áurea que, em 1888, aboliu a escravidão no Brasil Ignoramos as razões por que o riquíssimo arquivo deixado pelo conselheiro João Alfredo ainda não tentou o talento e a curiosidade de algum […]

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A legitimidade por excelência

June 1, 2014

  Em geral, a noção de legitimidade tem sido focalizada apenas com relação a governos. Atendidos os ensinamentos de Leão XIII na Encíclica Au Milieu des Solicitudes, de 16 de fevereiro de 1892, não se pode entretanto fazer tabula rasa da questão da legitimidade governamental, pois é questão moral gravíssima que as consciências retas devem […]

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A conversão admirável de uma princesa

May 18, 2014

  Cid Alencastro   Retrato da princesa Ana de Gonzaga de Clèves, princesa palatina, nasceu em 1616.(1) Teve importante papel político na França durante a minoridade do Rei Luís XIV. Ao ficar viúva em 1663, se bem que já tivesse 47 anos de idade, espantou a corte francesa pela licenciosidade de seus costumes e seu […]

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São Luís IX: afabilidade de santo, rei e guerreiro

April 27, 2014

Luis Dufaur   Jean de Joinville, senescal de Champagne uniu-se à Sétima Cruzada organizada pelo rei São Luís IX em 1244. Durante a campanha militar, Jean foi conselheiro e íntimo confidente do rei, participando de muitas de suas decisões. Após a morte do rei santo, ocorrida na Tunísia em 1270 durante a Oitava Cruzada, a rainha Jeanne […]

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